Editorial

MK apoia protesto de Caetano contra indústria química em Santo Amaro; ouça

Para Mário Kertész, prefeito "disse uma besteira que não tem tamanho" ao considerar que artista "não tem legitimidade" para falar sobre o assunto

[MK apoia protesto de Caetano contra indústria química em Santo Amaro; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 27 de Julho de 2020 ⋅ 08:25

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (27), Mário Kertész demonstrou apoio ao manifesto do cantor e compositor Caetano Veloso, que se posicionou contra a instalação de uma fábrica da empresa Orbi Química em Santo Amaro, sua cidade natal. O município ainda se recupera do impacto ambiental causado pela fábrica de chumbo da mineradora Plumbum, que operou durante 33 anos e foi fechada em 1993.

Em resposta à manifestação de Caetano, o prefeito de Santo Amaro, Flaviano Bonfim (PP), afirmou ao portal BNews que o artista "não tem legitimidade nenhuma para falar de política da cidade".

"Caetano Veloso fez um manifesto contra a instalação de mais uma indústria química no centro da cidade de Santo Amaro. Não sei se vocês lembram, e os mais jovens com certeza não sabem, lá durante anos funcionou uma fábrica de chumbo, que recebia matéria-prima da mina de Boquira, processava lá, jogava os rejeitos no Rio Subaé, que ficou completamente poluído, e prefeitos locais usavam os rejeitos para asfaltar as ruas, o que acabou com o lençol freático de Santo Amaro. Ele fez um protesto nas redes sociais, veemente, justíssimo, e o prefeito de Santo Amaro da Purificação, que eu não sei e nem quero saber quem é, disse que Caetano não tem legitimidade pra falar isso. Tem família mais legítima para representar e glorificar? No meio de tantos santoamarenses famosos... Porque Santo Amaro sempre foi o berço de grandes intelectuais, médicos, políticos, poetas, cantores... Caetano Veloso não tem legitimidade? Prefeito, me desculpe, mas você disse uma besteira que não tem tamanho", afirmou MK.

Outro assunto comentado por MK foi o afrouxamento do isolamento social por parte dos brasileiros, ainda que o coronavírus esteja longe de ser controlado. "Tem gente que fica acreditando que a vacina chega agora em agosto, não é o que se fala. A Fiocruz disse que é pra esperar para fevereiro do próximo ano. Ainda falta muito tempo. Outra coisa importante que vejo no noticiário é que em todo o Brasil as pessoas se soltaram, liberaram-se totalmente em praias, shoppings, festas, ruas... O pessoal tá querendo mesmo, já cansou. vai pra rua, vai pro suicídio. Agora, as pessoas precisam ver que não somente elas se infectam, como infectam outras pessoas, inclusive seus parentes, quando voltam à casa, prejudicam o trabalho dos profissionais de saúde, que têm morrido e ficado doentes. É como se... Sabe aquela história, farinha pouca, meu pirão primeiro. Então, o que acontece, as pessoas estão cansadas, porque dá cansaço mesmo, e olha que eu tenho condições excepcionais pra viver esse isolamento, mas isolamento é isolamento, não posso me queixar, ao contrário. Fico pensando sempre naquelas pessoas que não têm nada e ficam esperando um auxílio pra sobreviver, ou ir pra rua arriscando a vida pra poder ganhar o pão", pontuou.

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