Editorial

'Ameaça comunista' combatida pelo regime militar foi influenciada pela Guerra Fria diz MK; ouça

Mário Kertész também analisou pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro e criticou o perdão a dívidas de igrejas, aprovado pelo Congresso

['Ameaça comunista' combatida pelo regime militar foi influenciada pela Guerra Fria diz MK; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 08 de Setembro de 2020 ⋅ 08:47

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (8), Mário Kertész falou sobre o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro, veiculado ontem (7) por ocasião da Independência do Brasil. No discurso, Bolsonaro defendeu a democracia, mas reforçou o apoio ao golpe de 1964, citando a existência de uma "ameaça comunista". Segundo MK, tal perigo, propagandeado pelos que defendiam a tomada de poder pelos militares, jamais existiu.

"O presidente fez um pronunciamento interessante, onde ele diz que respeita a Constituição, a democracia, a miscigenação, mas não deixou de defender o golpe de 64. E mais: segundo me informaram, usando a mesma frase que Roberto Marinho usou em 1984. Aquela que fala que o país estava à beira do comunismo. que beira de comunismo? O Brasil estava no meio de uma Guerra Fria poderosíssima na época entre a União Soviética e os Estados Unidos. E o fato de Cuba ter se transformado em um regime comunista, evidentemente que trouxe receios para os EUA. (...) Agora, estávamos perto de um regime comunista? De jeito nenhum. (...) Na época da votação do impeachment de Dilma Rousseff, ele homenageou com o voto dele o coronel Brilhante Ustra, um enorme torturador, sádico, que existiu nesse país, que torturou Dilma. A cabeça de Bolsonaro continua a mesma, tem gente que gosta e vai continuar gostando. Essa coisa de sair exaltando que o povo apoiou... Sim, teve apoio popular e da grande mídia, agora querer dizer que João Goulart era um presidente socialista, comunista... Ele era um grande burguês! Claro que as forças de esquerda estavam ao lado dele, pra dar sustentação, porque ele ficou praticamente impedido de governar quando Jânio Quadros renunciou", pontuou.

MK também criticou a aprovação, por parte do Congresso Nacional, do perdão para dívidas de igrejas, que pode chegar a R$ 1 bilhão. "O grande comandante disso? R.R. Soares, que tem um filho que é deputado. O Congresso aprovou, não é dizer que foi coisa do presidente. Vai agora para sanção. E o Congresso tem que responder como é que essas coisas acontecem. No meio de tanta dificuldade, tanta miséria, não tem dinheiro pra isso e aquilo, mas tem pra perdoar a divida de igrejas milionárias, que inclusive pagam regiamente a seus dirigentes?", questionou.

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