Editorial

MK: 'Coronel achar que Isidório pode ser prefeito de Salvador é irresponsabilidade em nome da política'

Mário Kertész também comentou o mea-culpa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre a emenda da reeleição: "Chegar agora e dizer que foi um erro não vai adiantar nada"

[MK: 'Coronel achar que Isidório pode ser prefeito de Salvador é irresponsabilidade em nome da política']
Foto : Matheus Simoni/Metropress

Por Metro1 no dia 10 de Setembro de 2020 ⋅ 10:02

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (10), Mário Kertész repudiou as atitudes de políticos baianos, como o senador Angelo Coronel (PSD), que estariam sendo complacentes em relação ao deputado federal Pastor Sargento Isidório, candidato à prefeitura de Salvador pelo Avante. "Eu vi aqui no BNews, o senador Angelo Coronel disse: 'Precisamos expandir a figura de Isidório para demonstrar que, se eleito, ele terá capacidade de administrar Salvador'. Sem comentários. Eu fico impressionado como a política leva as pessoas a cometer coisas de tamanha irresponsabilidade. Pois é. E fico imaginando como Rui Costa, Jaques Wagner e Otto Alencar assistiram a convenção que firmou Isidório candidato e dona Eleusa Coronel, esposa de Coronel, vice. Bandeira do Brasil, Bíblia na mão... O povo é que decide, né? Nem sempre tem acertado, ultimamente tem errado um bocado", ironizou.

MK também analisou o recente mea-culpa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que classifica como um erro a aprovação da emenda que permitiu a reeleição para cargos no Poder Executivo. Com o apoio do então presidente, o texto foi aprovado em 1997, em um processo de tramitação repleto de controvérsias e acusações de compra de votos. 

"Eu me lembro perfeitamente, no princípio ele fazia de conta, tal qual um príncipe, que não queria a reeleição. Mas os amigos... Na época ele tinha um ministro muito forte, Sergio Motta, das Comunicações, que era uma pessoa de absoluta confiança dele, convenceu, houve um escândalo, disseram que os votos foram comprados, alguns deputados até admitiram isso... A partir daí, carregamos essa coisa terrível. Cada governante que chega diz 'eu não quero reeleição'. E a primeira coisa que ele faz ao sentar no trono do poder, não da latrina, é lutar pela reeleição. O próprio FHC disse que não ia querer reeleição, quis. O segundo governo dele foi péssimo. Lula, Dilma, Bolsonaro... Bolsonaro disse nitidamente que não se interessava pela reeleição. E a gente sabe como ele luta, mais do que tudo, exatamente para a reeleição. (...) A gente sabe que FHC é um grande intelectual, mas chegar agora e dizer que foi um erro não vai adiantar nada, mesmo porque isso não vai mudar", afirmou.

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