Editorial

MK comenta 'grosseria' de Trump em debate e mudanças no Renda Cidadã; ouça

Mário Kertész também demonstrou preocupação com a questão ambiental no Brasil, em comentário na Rádio Metrópole

[MK comenta 'grosseria' de Trump em debate e mudanças no Renda Cidadã; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 30 de Setembro de 2020 ⋅ 08:10

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (30), Mário Kertész analisou o debate realizado ontem (29) entre Donald Trump e Joe Biden, candidatos à presidência dos Estados Unidos.

"O formato do debate permite que seja um debate mesmo, sem aquele negocio de réplica, tréplica. Segundo: todo o tempo que era pro Joe Biden falar, Trump interrompia, com uma grosseria absurda. Ele interrompia e o mediador ficava com dificuldade. Não tem aquele sistema, que deveria ter, de desligar o microfone. Em compensação, Joe Biden chamou ele de palhaço, mentiroso, mandou calar a boca... É um debate, realmente. O que me preocupou muito foi a parte final, em que Trump dá uma dica impressionante de que ele acha que a eleição pode ser fraudada. Isso significa que ele já vai preparando o terreno para, caso perca a eleição, ele vai dizer que foi fraude, vai recorrer à Justiça, vai empurrando, eu não sei", pontuou.

Outro assunto do comentário foi a constante mudança de decisão do governo de Jair Bolsonaro em relação ao programa Renda Cidadã, de acordo com os humores do mercado. "O presidente vai e volta, volta e vai. Ele disse, primeiro: 'Não falem mais em renda isso, renda aquilo. Vai ser Bolsa Família até 2022'. Depois muda de opinião. E depois, quando sai com aquela história de buscar os recursos pro Renda Cidadã no fundo de Educação e nos precatórios, que são dívidas da união. Aí ele quer tirar o dinheiro desses precatórios e passar o calote, pra poder fazer esse auxílio, que ele sabe que pode ser o grande alimentador, trunfo do processo de reeleição que ele está querendo participar. Aí teve uma reação péssima do mercado. O dólar subiu, a bolsa... E aí as pessoas começaram a ficar preocupadas. Muita gente ainda pergunta por que [o ministro da Economia] Paulo Guedes ainda está no governo. Ele está lá porque é o fiador, a pessoa que liga o governo ao mercado, que foi o grande financiador e apoiador de Jair Bolsonaro. Aí na hora que deu o pipoco, o mercado se estremeceu, disse que iam furar o teto, ia ter inflação, tudo de novo, aí eles pararam", disse.

MK também demonstrou preocupação com a questão ambiental no Brasil e lembrou que há um enfraquecimento da indústria, em paralelo ao discurso de fortalecimento do agronegócio. "Vamos devastando terra, devastando o Pantanal e a Amazônia, porque precisamos produzir muita soja para vender. É um produto que a gente não agrega valor nenhum. E nossa indústria está se acabando, e ninguém tá se ligando nisso. Aí tem gente que tem orgulho de dizer que o Brasil é o celeiro do mundo. Grandes merdas! E os incêndios continuam, toca-lhe fogo, vamos em frente, e o homem da boiada passou, mas a Justiça deu uma segurada em Ricardo Salles. Mas aí entra a Advocacia-Geral da União, pode conseguir derrubar, e vamos acabar mesmo com as proteções que ainda sobram nesses país, porque esse 'bonitinho, mas ordinário' disse que ia passar a boiada. E tá passando mesmo", criticou.

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