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Em um dia, empresa de material publicitário fecha três contratos milionários com a prefeitura de Salvador

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Por Jairo Costa Júnior

Notícias exclusivas sobre política e os bastidores do poder

Em um dia, empresa de material publicitário fecha três contratos milionários com a prefeitura de Salvador

Sou Comunicação pertence a um dos principais fornecedores de campanhas eleitorais do União Brasil na Bahia

Em um dia, empresa de material publicitário fecha três contratos milionários com a prefeitura de Salvador

Foto: Divulgação

Por: Jairo Costa Jr. no dia 17 de abril de 2024 às 06:00

Em apenas um dia, a prefeitura de Salvador firmou três contratos simultâneos com uma mesma empresa especializada em impressão de material publicitário, a Sou Comunicação, no valor global de aproximadamente R$ 17,5 milhões. Todos eles têm como objeto a prestação de serviços de comunicação visual e sinalização, com validade de 12 meses. Os negócios, divulgados na edição de terça-feira (16) do Diário Oficial do Município, foram fechados cerca de 80 dias antes do veto imposto pela lei eleitoral à publicidade institucional de atos, programas, obras, projetos e campanhas de órgãos e entidades da administração municipal, cujas regras estarão em vigor de 6 de julho até o fim da disputa deste ano.

Bolo repartido
O primeiro dos três recentes contratos com a Sou Comunicação, escolhida através de pregão eletrônico, foi firmado por quase R$ 5 milhões junto à Secretaria de Governo da prefeitura (Segov), chefiada pelo ex-deputado Cacá Leão (PP), um dos principais articuladores políticos do Palácio Thomé de Souza. Na sequência, a empresa garantiu mais R$ 6,22 milhões da pasta da Saúde, comandada pela vice-prefeita Ana Paula Matos (PDT), e R$ 6,23 milhões dos cofres da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), ainda de acordo com os resumos publicados no Diário Oficial. 

Ligação de pontas
Segundo informações disponibilizadas no sistema da Receita Federal, a Sou Comunicação foi fundada em maio de 2015 e funciona em um galpão situado na Avenida Cardeal Avelar Brandão Villela, nas Granjas Rurais Presidente Vargas, bairro encravado entre as regiões de Pirajá e Pau da Lima. No cadastro do Fisco, consta apenas um nome no quadro societário: Edgar Almeida Candeias Neto, dono de outra empresa do segmento de impressões de material publicitário, a Check List, uma das principais fornecedoras para as duas últimas campanhas majoritárias do União Brasil ao governo do estado e à prefeitura de Salvador.

Cordão umbilical
Sediada no mesmo endereço da Sou Comunicação, a Check List aparece em primeiro na relação de prestadores de serviços que receberam os maiores repasses da campanha do ex-prefeito ACM Neto a governador da Bahia em 2022. Conforme a prestação de contas informada por Neto ao Tribunal Superior Eleitoral, a empresa recebeu à época R$ 3,64 milhões, divididos em quatro pagamentos relativos à compra de produtos largamente usados na propaganda de rua - adesivos, praguinhas, pragões, perfurados e big hands, cartazes de tamanho maior aplicados em muros e fachadas. O valor correspondeu a 13% dos gastos de Neto na sucessão estadual. Em 2020, a campanha de Bruno Reis a prefeito da capital pagou R$ 1,18 milhão à Check List pelo fornecimento de artigos semelhantes.

Aperto nas cordas
Horas após a Metropolítica noticiar o atraso na reabertura do Conselho de Ética da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), travado por dificuldades em encontrar deputados dispostos a assumir funções de comando no colegiado, a Mesa Diretora da Casa garantiu na tarde de terça-feira (16) que ele será oficialmente instalado nesta quarta-feira (17). A roda só voltou a girar quando o presidente da Alba, Adolfo Menezes (PSD), endureceu o tom em plenário e cobrou empenho dos líderes da base aliada e da oposição, Rosemberg Pinto (PT) e Alan Sanches (União Brasil), para consolidar o conselho e iniciar de imediato o processo de escolha do presidente e do vice.

Bet de político 
Nos corredores da Assembleia, o governista Vitor Bonfim (PV) e o oposicionista Sandro Régis (União Brasil) lideram a bolsa de apostas em torno dos parlamentares cotados para ocupar a presidência e a vice do Conselho de Ética, respectivamente. Contudo, ninguém arrisca palpites sobre quem ficará com a tarefa mais difícil. No caso, a de relator do eventual processo de cassação do deputado Binho Galinha (PRD), acusado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Estado de chefiar uma milícia envolvida nos crimes de extorsão, agiotagem, receptação de carga roubada e lavagem de dinheiro proveniente do jogo do Bicho na região de Feira de Santana.

Prêmio de consolação
O secretário estadual de Agricultura, Wallison Tum (Avante), conseguiu emplacar um aliado de primeira linha, Washington de Freitas Prado, no alto escalão da Alba. Recentemente, Prado foi nomeado diretor legislativo da Assembleia, um dos cargos mais cobiçados da Casa, com remuneração bruta mensal de R$ 13,7 mil. Até setembro do ano passado, ele estava à frente da Diretoria Administrativa da Seagri, mas acabou exonerado a contragosto por Tum diante da pressão do deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante) para que acomodasse seus apadrinhados políticos em funções de gestão na pasta. Como revelado pela coluna na edição de terça, a secretaria virou cabide de empregos para abrigar quadros oriundos da Fundação Doutor Jesus, entidade assistencial criada por Isidório em Candeias.

Múltipla escolha
Circulam nos bastidores da oposição ao PT três versões acerca da ausência de ACM Neto no lançamento da pré-candidatura do ex-prefeito Zé Ronaldo (União Brasil) ao comando de Feira de Santana, realizada na tarde de terça. A primeira diz respeito ao choque de agendas. De fato, Neto havia confirmado dias antes que estaria em Brasília para participar do anúncio de uma parceria do partido com as fundações Índigo e Dom Cabral, voltada a capacitar candidatos da legenda em todo o país. A outra seria relacionado com o desejo de Zé Ronaldo em assegurar protagonismo exclusivo no evento e organizar uma festa maior com os caciques do grupo no anúncio oficial da candidatura. Por fim, Neto teria decidido não aparecer para evitar arestas com o deputado Pablo Roberto (PSDB) no momento em que o tucano tenta se garantir no páreo pela prefeitura de Feira no arco oposicionista.

Pela culatra
Integrantes do núcleo político do Palácio de Ondina alertaram o governador Jerônimo Rodrigues (PT) sobre os prováveis desgastes de sua ida à Alba na quinta-feira (18) para entregar pessoalmente o projeto de lei que estende o piso nacional da educação aos professores indígenas, promessa de campanha ainda não cumprida pelo petista. Embora compreendam o peso simbólico do ato, por conta de ascendência indígena do governador, interlocutores próximos a Jerônimo acham que ele corre risco de sacudir duas roseiras cheias de espinhos: o movimento de professores aposentados em busca de enquadramento no piso e a cobrança para que libere a terceira parcela dos precatórios do Fundef, tema indigesto para o governo.