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Parlamentares baianos relatam pânico em Brasília após novo cerco ao Banco Master
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Por Jairo Costa Júnior
Notícias exclusivas sobre política e os bastidores do poder
Parlamentares baianos relatam pânico em Brasília após novo cerco ao Banco Master
Fonte principal do temor é o que está armazenado nos celulares apreendidos com o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, e com o megainvestidor Nelson Tanure, ambos conhecidos por fortes ligações com políticos

Foto: Divulgação
A segunda etapa da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quarta-feira (14) como parte da ofensiva sobre o esquema de fraudes fiscais e crimes contra o sistema financeiro praticados pelo Banco Master, criou um pânico generalizado entre políticos com assento no Congresso Nacional e dirigentes de partidos, relataram à Metropolítica parlamentares da bancada baiana em Brasília. O temor, garantiram as fontes, tem relação direta com a apreensão de 39 celulares utilizados por novos alvos da PF, cujo conteúdo armazenado pode arrastar para o radar da investigação deputados e senadores que possuem ligações muito próximas ou negócios com a cúpula do Master.
Medo em evolução
"Já existia muita preocupação por parte de integrantes da Câmara dos Deputado, do Senado e da direção nacional de diversos partidos com o que vai revelar o telefone de Daniel Vorcaro, que a gente ainda não sabe o que tem nele porque a análise do aparelho ainda não foi concluída pela PF. Como Vorcaro transitava muito nos altos escalões do Congresso, inclusive emprestando jatinho para políticos influentes, o receito tem razão de ser. Mas agora esse nível de tensão subiu demais depois da nova leva de apreensões de celulares, por causa de dois personagens centrais da segunda fase da operação", disse um parlamentar da Bahia com status de liderança, ao citar o cunhado de Vorcaro e o megainvestidor baiano, respectivamente.
Gente grande
"Frequentemente, Fabiano Zettel era visto circulando em gabinetes de deputados como emissário e homem de confiança do cunhado. E Nelson Tanure é bastante conhecido por suas ligações com políticos poderosos. Nas rodas de conversa em Brasília, o que se comenta é o risco que vários deles correm quando a Federal abrir a caixa-preta dos celulares desses dois nomes", resumiu outro integrante da bancada do estado. O perigo vale tanto para prováveis lobbies a favor do Master quanto para demais assuntos não republicanos sem qualquer relação com o banco, mas que têm potencial para abrir novas frentes de investigação.
Pesca de tarrafa
Dois deputados ouvidos reservadamente pela coluna disseram que a fonte de temor está, de fato, no método utilizado para acessar o conteúdo dos aparelhos apreendidos. A tecnologia operada pela PF é a única do país que permite aos peritos extraírem conteúdo mesmo que o celular esteja desligado e sem senha conhecida pelos investigadores. O problema é que os arquivos são acessados integralmente, sem filtro. Só depois é feita a triagem. Ou seja, as chances são bem elevadas de que a Compliance Zero atire no que viu e acerte também no que não viu.
Plano de recuperação
Fontes com passe-livre junto ao alto clero do Supremo garantiram que a controvérsia gerada pelo ministro Dias Toffoli a reboque das últimas decisões relativas ao Master passa longe de supostas blindagens ou favorecimento dos donos do Master e eventuais associados. A questão, asseguraram, passa pela tentativa de recuperar espaço e prestígio no andar de cima da política, algo que sobra hoje para o ministro Alexandre de Morais. Trocando em miúdos, as determinações de Toffoli têm como objetivo camuflado o retorno à ribalta.
Bate-volta
As primeiras investidas de Dias Toffoli, concentradas em afundar a Lava Jato, não surtiram o efeito esperado, já que os principais líderes do PT ainda conservam um pote cheio de mágoas com o nome do ministro, a quem consideram um ingrato por sua postura diante da prisão do hoje presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o nomeou para o Supremo em 2009, penúltimo ano do segundo governo do petista. Sem colo no PT, decidiu apostar as fichas no caso do Master e agir para livrar a cara de gente com bala na agulha.
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