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Política

'Eleição municipal nunca foi bússola da nacional', avalia João Santana

Ex-marqueteiro comentou que é prematuro dizer que pleito demonstra queda de Bolsonaro, Lula ou o PT

['Eleição municipal nunca foi bússola da nacional', avalia João Santana]
Foto : Metropress

Por Matheus Simoni no dia 01 de Dezembro de 2020 ⋅ 09:35


Responsável pelas campanhas presidenciais de Lula (2006) e Dilma Rousseff (2010 e 2014), o publicitário, jornalista e ex-marqueteiro João Santana comentou uma os rumos das eleições municipais deste ano e os reflexos dos pleitos estaduais e nacionais em 2022. Em entrevista a Mário Kertész na manhã de hoje (1º), durante o Jornal da Bahia no Ar da Rádio Metrópole, ele disse que, mesmo com os desdobramentos, é um erro analisar a eleição municipal como uma espécie de "bússola" para a que ocorre daqui a dois anos.

"Mais uma vez, na leitura dos resultados, estão se repetindo equívocos de interpretações e o mesmo frenesi de pensamento desejoso que aconteceu em outras eleições. É preciso ficar claro uma coisa: eleição municipal nunca foi, não é e nem nunca será bússola de eleição nacional. É uma eleição de pernas curtas e que tem uma visão de futuro muito restrita porque os efeitos dela tendem a se dissipar rapidamente no ar. Aí você pode me perguntar: elas não captam tendências? Captam, mas captam mais tendências de um passado recente e presente do que projetar tendências para o futuro. As eleições municipais são as eleições mais simples que existem para o eleitor. Tem muito estresse de votar nas eleições nacionais e até estaduais. Mas na municipal não, é tudo muito epidérmico. Está tudo muito próximo", avaliou Santana. 

O publicitário comentou "erros notórios de interpretação" sobre as avaliações a respeito do resultado demonstrado nas urnas. "O primeiro erro é dizer que Bolsonaro morreu. Vamos pensar no raciocínio que esse erro está mais implantado na esquerda. Bolsonaro morreu e, por isso, não precisaria mais formar a frente ampla. Isso está meio pronto em discurso de candidatos importantes. Outro também é Bolsonaro morreu, Lula morreu e o PT morreu, como uma hemorragia sem cura. É um erro, estão confundindo efeito com causa, sintoma com doença", avaliou. Para ele, Bolsonaro dificilmente consegue a reeleição se os opositores políticos promoverem uma união progressista. 

"Ele só pode se reeleger se as esquerdas cometerem um erro enorme. Todos os fatores levam para a derrota de Bolsonaro. Não é isso. O PT perdeu muito, foi um baque enorme, mas está pagando mais. É a segunda onda de pagamentos do PT. A primeira foi em 2018, em 2016 ja existia uma onda antipetista que foi gerada em cima de fatos concretos e fatos artificiais. O PT hoje está pagando uma segunda onda ainda mais terrível, que é a falta de quadros, renovação e falta de propostas inovadoras. Nesse ponto, é preciso ter muito cuidado de imaginar isso que houve das eleições municipais, como se fosse um atestado de óbito de Bolsonaro e do PT", afirmou o marqueteiro político. 

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