
Política
Ex-sócio de Vorcaro diz ao STF que Jaques Wagner não atuou em favor do Master
Em petição ao STF, Augusto Lima afirmou que medida relacionada ao crédito consignado teve origem no governo Bolsonaro e destacou atuação de Wagner contrária aos interesses da instituição

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, Augusto Lima, afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a medida apontada como favorável ao banco no Congresso Nacional teve origem no governo de Jair Bolsonaro, e não em uma atuação do senador Jaques Wagner (PT). A declaração consta em uma petição apresentada pela defesa de Lima em junho deste ano.
Segundo Lima, a Polícia Federal teria “confundido” a emenda apresentada por Wagner, que buscava estabelecer limites para os juros e ampliar a proteção aos consumidores, com o texto original da Medida Provisória editada por Bolsonaro em 2022. A MP tratava da ampliação da margem disponível para empréstimos consignados destinados a aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.
Na avaliação apresentada pela defesa do empresário, esse ponto contraria a interpretação de que Wagner teria atuado para beneficiar o Banco Master. O documento também sustenta que a atuação do senador no tema ocorreu em sentido oposto aos interesses da instituição.
“É relevante porque o suposto benefício ao mercado de crédito consignado é o que sustenta a tese da Polícia Federal. Se a Emenda nº 30 (de Wagner) propunha a limitação de juros, desaparece a premissa de que o agravante (Lima) teria oferecido ou pago vantagem indevida ao senador para praticar ato de ofício em favor do Banco Master. (...) A emenda caminha em sentido contrário ao alegado interesse do agravante”, diz a petição apresentada ao STF pela defesa de Lima.
A defesa de Wagner já havia apresentado argumento semelhante ao contestar o relatório da PF, em recurso encaminhado ao tribunal contra a autorização de busca e apreensão na residência do senador. Na ocasião, os advogados sustentaram: “A medida está equivocada pelos seguintes motivos: o senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer o Banco Master. Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema, apresentada à Medida Provisória 1106/2022, propunha limitar juros e proteger os consumidores, justamente o contrário dos interesses do banco.”
O documento apresentado ao STF também menciona a posição de Wagner em relação à chamada “Emenda Master”, proposta por Ciro Nogueira (PP-PI) durante a tramitação da PEC 65/2023. Segundo o recurso, o senador se posicionou contra a medida. O relator da proposta, senador Plínio Valério (PSDB-AM), também teria afirmado que nunca foi procurado por Wagner para tratar do assunto.
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