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Embaixada dos EUA classifica vitória de Lula como “definitiva” em relatório diplomático

Política

Embaixada dos EUA classifica vitória de Lula como “definitiva” em relatório diplomático

Documento enviado ao Departamento de Estado afirma que observadores internacionais não questionaram o resultado e aponta que votos após as 17h não alteraram a disputa

Embaixada dos EUA classifica vitória de Lula como “definitiva” em relatório diplomático

Foto: Ricardo Stuckert

Por: Metro1 no dia 30 de outubro de 2026 às 10:40

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou como “definitiva” e “surpreendente” a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de domingo (25). A avaliação consta em um relatório diplomático enviado na segunda-feira (26) a órgãos do governo americano, entre eles o Departamento de Estado.

Intitulado “Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar”, o documento afirma que a votação ocorreu de maneira majoritariamente pacífica, apesar de problemas registrados em algumas regiões do país.

Segundo o relatório, observadores internacionais não manifestaram dúvidas sobre o resultado. A representação americana também destacou que a ampliação do horário de votação, principal argumento usado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para contestar a derrota, não teve impacto significativo na apuração, conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A avaliação contrasta com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a questionar o processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas de irregularidades capazes de comprometer o resultado. Nesta quinta-feira (29), o republicano classificou a eleição como uma “vergonha”, embora tenha afirmado que pretende conversar com Lula.

Relatório aponta impacto limitado de votos após as 17h

O documento registra que Lula venceu Flávio Bolsonaro por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. Também menciona interrupções no transporte público e dificuldades de acesso a locais de votação no Nordeste e no Sul.

As campanhas dos dois candidatos solicitaram ao TSE a ampliação do horário de votação diante dos problemas. A medida foi autorizada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a extensão por duas horas após o encerramento previsto para as 17h.

Segundo o relatório, o TSE informou que apenas 34 mil votos foram registrados depois das 17h, incluindo os de eleitores que já estavam nas filas no horário previsto para o encerramento. O total representa cerca de 0,03% dos votos e não seria suficiente para alterar a diferença entre os candidatos.

A embaixada também citou a avaliação do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, de que a ampliação do horário não teve influência significativa no resultado nem modificou a vitória de Lula.

Sobre a atuação dos observadores internacionais, o documento afirma que as missões da Organização dos Estados Americanos (OEA) não tiveram “nenhuma dúvida sobre os resultados”. Apesar disso, consideraram insatisfatória a comunicação interna entre os responsáveis pela organização da votação. A decisão de estender o horário foi descrita como mal administrada, mas a eleição foi considerada organizada.

PL temia crise política com contestação de Flávio Bolsonaro

O relatório registra que Flávio Bolsonaro condenou a decisão do STF de ampliar o horário de votação e prometeu contestar o resultado, que classificou como “impossível de aceitar”.

A representação americana também relata que integrantes do PL manifestaram, reservadamente, preocupação com a possibilidade de a contestação provocar uma crise política. Segundo o documento, a avaliação levava em conta a diferença de votos, a ausência de fundamento jurídico para questionar o resultado e o risco de desgaste para o partido.

O texto menciona ainda que outros líderes conservadores reconheceram publicamente a vitória de Lula. Até a elaboração do relatório, o petista havia sido reconhecido por pelo menos 54 países, com exceções como Estados Unidos, El Salvador e Argentina.

Trump evita reconhecer vitória de Lula

A avaliação da embaixada contrasta com as declarações públicas de Trump. Na segunda-feira (26), o presidente americano afirmou que a eleição brasileira parecia ter sido fraudada e questionou a ampliação do horário de votação.

“A impressão que passou para o mundo foi terrível. Eleições precisam ser indiscutíveis”, declarou na ocasião.

Nesta quinta-feira (29), Trump voltou a criticar o pleito ao ser questionado sobre a possibilidade de conversar com Lula e parabenizá-lo pela reeleição. “Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha”, afirmou.

Questionado sobre quem considerava o vencedor legítimo, o republicano evitou responder. “Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro. O atual presidente me pediu para não tomar partido, e eu não tomei. Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, achei uma vergonha”, disse.

Até esta quinta-feira, o governo americano ainda não havia enviado uma mensagem formal de congratulações a Lula. Trump também não respondeu diretamente se reconhece o petista como vencedor legítimo da disputa.

A indefinição ocorre enquanto Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos. O senador desembarcou em Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil após a derrota eleitoral. O Departamento de Estado confirmou a concessão de vistos para ele e seus familiares.