Política

Coronel quer CPI para apurar suposta troca de mensagens entre Moro e procuradores

"Não me venham com conversa de que trata-se de golpe na Lava Jato", criticou senador baiano

[Coronel quer CPI para apurar suposta troca de mensagens entre Moro e procuradores]
Foto : Tácio Moreira/ Metropress

Por Juliana Almirante no dia 10 de Junho de 2019 ⋅ 13:40

O senador Angelo Coronel (PSD-BA) disse que fará um pedido à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para convocar os envolvidos a esclarecimentos e então instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a fim de apurar as supostas trocas de mensagens entre o ministro Sérgio Moro e os procuradores da Lava Jato. O caso foi revelado ontem (09) pelo site "The Intercept Brasil". 

"O povo brasileiro há de se envergonhar se for confirmadas as recentes divulgações dos diálogos entre o ex-juiz Moro e membros do MPF. Fruto dessas postagens farei requerimento à CCJ convocando os atores envolvidos para se explicarem  e instalar uma CPI. Vou torcer pra ser mentira", disse, por meio do Twitter. 

Ele diz ainda que o caso deve ser julgado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). 

"Não me venham com conversa de que trata-se de golpe na Lava Jato. Está patente a conspiração e que não houve lisura e isenção nos processos. Pergunto: Em quem acreditar, meu Deus?", declara o senador baiano.

Coronel cita o Código de Ética da Magistratura Nacional, aprovado em 2008 pelo CNJ, que determina, em seu primeiro artigo, que juízes atuem “norteando-se pelos princípios da independência, da imparcialidade” e “do segredo profissional”.

"O capítulo 3 do código, que trata exclusivamente da imparcialidade, diz, no art 8: 'O magistrado imparcial é aquele que busca nas provas a verdade dos fatos, com objetividade e fundamento, mantendo ao longo de todo o processo uma distância equivalente das partes'", argumenta.

Outro lado

A força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal no Paraná (MPF) alegou que foi alvo de ataque hacker após a divulgação das matérias.

"A ação vil do hacker invadiu telefones e aplicativos de procuradores da Lava Jato usados para comunicação privada e no interesse do trabalho, tendo havido ainda a subtração de identidade de alguns de seus integrantes. Não se sabe exatamente ainda a extensão da invasão, mas se sabe que foram obtidas cópias de mensagens e arquivos trocados em relações privadas e de trabalho", diz a nota do MPF. 

Já o ministro da Justiça Sérgio Moro afirmou que as conversas divulgadas pelo The Intercept não mostram "qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado". 

Ele ainda considera que as declarações foram "retiradas de contexto" em matérias publicadas com sensacionalismo, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela Operação Lava Jato.

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