Política

Gilmar nega ter 'atingido honra' das Forças Armadas após fala sobre 'genocídio'

Ministro do STF reafirmou respeito aos militares e disse estar preocupado com rumo das políticas públicas de saúde do país

[Gilmar nega ter 'atingido honra' das Forças Armadas após fala sobre 'genocídio']
Foto : Rosinei Coutinho/SCO/STF

Por Matheus Simoni no dia 14 de Julho de 2020 ⋅ 10:34

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes se manifestou a respeito da repercussão de uma fala sobre a participação de militares no governo do presidente Jair Bolsonaro (Sem partido). O magistrado havia afirmado que o Exército se "associa" a um "genocídio", fazendo referência ao fato de integrantes das Forças Armadas comandarem o Ministério da Saúde, em meio à pandemia de coronavírus, que já matou mais de 70 mil pessoas no país.

Em nota divulgada hoje (14), Gilmar afirmou que sempre tratou com respeito os militares. "Nenhum analista atento da situação atual do Brasil teria como deixar de se preocupar com o rumo das nossas políticas públicas de saúde. Estamos vivendo uma crise aguda no número de mortes pela COVID-19, que já somam mais de 72 mil. Em um contexto como esse, a substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde deixa de ser um apelo à excepcionalidade e extrapola a missão institucional das Forças Armadas", declarou o ministro, através da nota.

"Reforço, mais uma vez, que não atingi a honra do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica. Aliás, as duas últimas nem sequer foram por mim mencionadas. Apenas refutei e novamente refuto a decisão de se recrutarem militares para a formulação e execução de uma política de saúde que não tem se mostrado eficaz para evitar a morte de milhares de brasileiros", acrescentou o ministro. 

A manifestação de Gilmar Mendes gerou repúdio de militares do governo, que trataram de rebater as falas do ministro do STF. O Ministério da Defesa afirmou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) iria ser acionada contra o magistrado. Já o vice-presidente da República, Hamilton Mourão (PRTB), que também é militar, afirmou que Mendes "forçou a barra".

Confira a nota na íntegra: 

Ao tempo em que reafirmo o respeito às Forças Armadas brasileiras, conclamo que se faça uma interpretação cautelosa do momento atual. Vivemos um ponto de inflexão na nossa história republicana em que, além do espírito de solidariedade, devemos nos cercar de um juízo crítico sobre o papel atribuído às instituições de Estado no enfrentamento da maior crise sanitária e social do nosso tempo. Em manifestação recente, destaquei que as Forças Armadas estão, ainda que involuntariamente, sendo chamadas a cumprir missão avessa ao seu importante papel enquanto instituição permanente de Estado. Nenhum analista atento da situação atual do Brasil teria como deixar de se preocupar com o rumo das nossas políticas públicas de saúde. Estamos vivendo uma crise aguda no número de mortes pela COVID-19, que já somam mais de 72 mil. Em um contexto como esse, a substituição de técnicos por militares nos postos-chave do Ministério da Saúde deixa de ser um apelo à excepcionalidade e extrapola a missão institucional das Forças Armadas.

Reforço, mais uma vez, que não atingi a honra do Exército, da Marinha ou da Aeronáutica. Aliás, as duas últimas nem sequer foram por mim mencionadas. Apenas refutei e novamente refuto a decisão de se recrutarem militares para a formulação e execução de uma política de saúde que não tem se mostrado eficaz para evitar a morte de milhares de brasileiros.

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