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“Crime organizado se nacionalizou no Brasil e exige resposta integrada”, diz Bruno Paes Manso

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“Crime organizado se nacionalizou no Brasil e exige resposta integrada”, diz Bruno Paes Manso

Em entrevista ao Jornal da Cidade, jornalista e pesquisador analisou a nacionalização das facções, o avanço das milícias e a relação entre crime, política e religião no Brasil

“Crime organizado se nacionalizou no Brasil e exige resposta integrada”, diz Bruno Paes Manso

Foto: NEV/USP

Por: Metro1 no dia 17 de junho de 2026 às 19:04

O jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso, afirmou que o crime organizado no Brasil passou por um processo de nacionalização nas últimas décadas, exigindo maior integração entre forças de segurança estaduais, federais e órgãos de controle. Em entrevista ao Jornal da Cidade, nesta quarta-feira (17), ele destacou que facções como o PCC e o Comando Vermelho já atuam de forma articulada em praticamente todo o país, o que, segundo ele, exige cooperação mais intensa entre polícias, Ministério Público, Receita Federal e órgãos de inteligência.

“Do ponto de vista da segurança pública, a gente vem dando passos interessantes, depois de muito tempo atrasados e perdendo o pé aí da situação, porque o PCC e o Comando Vermelho se nacionalizaram, eles estão presentes em 25 estados, em 26 estados brasileiros, eles se conectam, eles fazem negócios, eles organizam o crime a partir das prisões, com essa dimensão nacional”, afirmou.

Segundo ele, a estrutura da segurança pública brasileira ainda precisa se adaptar a essa realidade. “A segurança pública está avaliada ainda nos estados, você tinha muito pouca troca de informação, troca de parcerias”, disse.

Milícias e controle territorial

Ao tratar das milícias, Paes Manso afirmou que o modelo surgiu no Rio de Janeiro a partir do controle armado de territórios e da exploração de atividades ilegais. “As milícias são um desafio crescente no Brasil, eles são um modelo, da forma como tem no Rio de Janeiro, é muito próprio, de controle territorial, eles surgem no Rio porque o Rio tinha uma dinâmica muito específica”, disse.

Ele explicou que esses grupos passaram a diversificar suas fontes de renda. “Acabaram se tornando mais uma facção que também tinha exercido esse domínio territorial e que passaram também a ganhar dinheiro com a venda de gás, de gato-net, com o tempo também passou a vender drogas, grilagem de terra e tudo isso”, afirmou.

Paes Manso também destacou a relação desses grupos com a política. “Começaram a financiar políticos e botar a gente, os seus representantes e representantes dos seus interesses, no parlamento, no governo, nas polícias”, disse.

Crime, poder e religião

O pesquisador ainda relacionou o avanço do crime organizado com a dinâmica de poder e lucro das facções. “Quando você tem muito dinheiro, se você ganha dinheiro de forma ilegal, você tem seus próprios esquemas de financiar suas atividades ilegais”, afirmou.

Ele também comentou o papel das igrejas evangélicas no cenário social e político brasileiro. “Eu acho que é uma cultura fortíssima, que cresceu e se fortaleceu nas últimas duas décadas. Hoje está mais forte do que nunca”, disse. Segundo ele, o fenômeno religioso ganhou força nas cidades e passou a integrar disputas políticas e culturais no país.

Confira na íntegra: