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Sérgio Rodrigues alerta para dependência da IA e perda da capacidade de escrever nas novas gerações
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Sérgio Rodrigues alerta para dependência da IA e perda da capacidade de escrever nas novas gerações
Para Rodrigues, inteligência artificial transforma o mundo, mas não substitui emoções, intuição e experiência humana

A crescente terceirização da escrita para ferramentas de inteligência artificial e os impactos desse movimento para a sociedade foram tema da entrevista do jornalista e escritor Sérgio Rodrigues ao Jornal da Cidade, nesta terça-feira (16). Autor do livro "Escrever é humano: Como dar vida à sua escrita em tempo de robôs", ele defendeu a importância da produção humana de textos e argumentou que a arte permanece em um território inacessível às máquinas.
"Então, o livro é uma uma defesa da escrita humana, no sentido de que não no sentido de fazer pouco da novidade da revolução da IA, porque não é pra fazer pouco, é uma coisa realmente avassaladora e, enfim, que tá mudando muita coisa no mundo, na nossa relação com o mundo, mas pra delimitar um território, que a meu ver, a IA, pelo menos do jeito que ela é hoje, essa IA aí, não tem como entrar, que é o território da arte", disse.
Segundo Rodrigues, a inteligência artificial representa uma transformação profunda, mas ainda é incapaz de reproduzir elementos que considera essenciais à criação artística. Para ele, compreender o mundo, lidar com emoções, assumir responsabilidades e ter consciência da própria existência são características exclusivamente humanas, que diferenciam a arte produzida por pessoas daquela gerada por algoritmos.
"Ela [a arte] exige uma compreensão de mundo, uma intuição, uma responsabilidade, lidar com emoções. Exige ter um corpo, exige ter desejo, exige saber que vai morrer, que são todas coisas inacessíveis ao robô. É nesse sentido que eu defendo que escrever é humano, embora a escrita do dia a dia, a escrita menos ambiciosa, já esteja bastante dominada pela IA", apontou.
Ao abordar os efeitos futuros da tecnologia, o escritor afirmou que ainda é difícil prever todas as consequências da revolução em curso, mas demonstrou preocupação com a perda gradual de habilidades fundamentais. Rodrigues observou que cada vez mais pessoas estão "delegando, terceirizando tudo pra uma máquina" e alertou para os reflexos desse processo na educação. Para ele, a grande questão é entender "o que vai ser essa habilidade da escrita e da leitura também, porque elas andam juntas" entre as novas gerações, destacando que esse pode ser um dos desafios mais relevantes para a sociedade nos próximos anos.
Confira a entrevista na íntegra:
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