Quinta-feira, 18 de junho de 2026

Faça parte do canal da Metropole no WhatsApp

Home

/

Notícias

/

Rádio Metropole

/

Matheus Buente alerta para perda da identidade junina e defende São João com “sotaque nordestino”

Rádio Metropole

Matheus Buente alerta para perda da identidade junina e defende São João com “sotaque nordestino”

Em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta quinta-feira (18), o historiador e humorista apontou que a exposição midiática e plataformas digitais influenciam a popularidade de atrações nas festas de São João

Matheus Buente alerta para perda da identidade junina e defende São João com “sotaque nordestino”

Foto: Reprodução/Youtube

Por: Metro1 no dia 18 de junho de 2026 às 13:02

O crescimento da presença de artistas de outros gêneros nas festas juninas reflete uma transformação do São João em um mercado cada vez mais disputado pela indústria do entretenimento. A análise foi feita pelo historiador e humorista Matheus Buente em entrevista ao Jornal da Metropole no Ar desta quinta-feira (18). Para ele, o fenômeno está ligado à percepção de que uma das principais manifestações culturais nordestinas também se tornou uma oportunidade de lucro. Além disso, o historiador argumentou que o São João com “sotaque nordestino” deve permanecer como parte da tradição.

“Temos uma questão muito importante, que eu acho que é a apropriação cultural. Se percebeu que esse elemento cultural nosso [o São João] é também uma questão aí de lucro. Quando essas plantas públicas todas entraram no jogo para poder financiar as grandes festas, rolou um movimento de que o pessoal que não é do forró, não é do Nordeste, não é do São João tradicional, olhou para isso e pensou: rapaz, tem um dinheiro que eu vou ganhar”, disse.

Segundo Buente, a popularização desses artistas não ocorre apenas por preferência espontânea do público, mas também por mecanismos de exposição midiática que ampliam sua presença nas rádios, plataformas digitais e redes sociais. Para ele, esse cenário reforça a necessidade de preservar tradições culturais ligadas ao período junino.

“Desde que foi instituído o jabá nas rádios, desde que você passou a ter bot para poder ter mais visualização no streaming, no YouTube, no Spotify, meio que tem uma parte do nosso gosto musical que não é guiada necessariamente por nós. Por isso que as festas tradicionais têm que ser protegidas muitas vezes por lei”, explicou.

Na avaliação do historiador, o fortalecimento de artistas ligados ao forró e à cultura nordestina é fundamental para preservar a identidade das celebrações juninas. Buente argumenta que, embora existam diferentes estilos dentro do próprio forró, todos carregam referências culturais da região e ajudam a manter vivo o vínculo entre o São João e suas origens. “Você assistir o Trio Nordestino e assistir Calcinha Preta, Aviões do Forró e por aí vai, é completamente diferente, mas é tudo forró, é tudo com sotaque nordestino, e acho que é isso que tem que ser protegido”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra: