Editorial

'Já que não tivemos Dubai, tenhamos Cancún, graças a uma caneta Bic', diz MK; ouça

Kertész comentou declarações de Bolsonaro sobre a exploração turística da reserva ecológica de Angra dos Reis (RJ), além da polêmica da pesquisa sobre consumo de drogas

['Já que não tivemos Dubai, tenhamos Cancún, graças a uma caneta Bic', diz MK; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 30 de Maio de 2019 ⋅ 09:05

A intenção do presidente Jair Bolsonaro de abrir, por meio de decreto, a estação ecológica de Tamoios, em Angra dos Reis (RJ), para exploração turística, foi um dos assuntos do comentário de Mário Kertész, hoje (30), na Rádio Metrópole. Ao abordar o tema, MK relembrou uma entrevista do ex-prefeito de Salvador, João Henrique.

"Veio à minha mente o passado em que aqui, no estúdio da rádio, o então prefeito tenebroso disse que queria fazer de Salvador Dubai. Eu achei isso tão parecido, mas tão parecido. Nós viramos Dubai, não foi? Só que depois que o presidente falou isso, vários juristas disseram que ele não pode isso por um decreto. E ele disse 'basta um decreto meu, com minha caneta Bic, que eu acabo com essa reserva', que é uma área de preservação ecológica. (...) E aí, constitucionalmente ele não pode fazer isso por decreto, não é assim", disse.

MK também criticou o fato de Bolsonaro ter dito ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que tem "mais poder" que ele. "Ele chama os chefes dos Poderes para fazer um pacto para colocar o Brasil para a frente. Eu acho a ideia muito interessante. Mas ali, na hora mesmo, ele vira para Rodrigo Maia e diz assim: 'só que eu tenho uma caneta e eu sou muito mais forte que você'. Quer dizer: você chama alguém para sua casa para fazer um acordo e vai logo dizendo 'olha, eu vou fazer o acordo, mas fique sabendo que o porreta aqui sou eu'. Então eu não entendo, eu não consigo, ninguém por favor me peça para explicar", comentou.

Outro tema abordado foi a polêmica envolvendo a pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) sobre consumo de drogas no Brasil, que aponta a ausência de uma "epidemia". Kertész alfinetou o ministro da Cidadania, Osmar Terra, que disse ter visto nas ruas 'coisa bem diferente' do resultado do estudo. "Bom, então é assim, não é? A observação visual, eventual, de um passeio do senhor ministro, sobrepõe-se a um estudo que custou R$ 7 milhões, feito por pesquisadores seriíssimos. (...) Ele andou, viu e acha que é uma epidemia. E mais: ele disse que esse pessoal da Fiocruz, de esquerda, é favorável à descriminalização das drogas, e por isso fizeram essa pesquisa com resultado para facilitar a descriminalização da droga. Pelo amor de Deus! Vamos ter o mínimo de respeito pela ciência", apelou.

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