Editorial

MK diz que vazamentos trazem 'problemas sérios' para Moro e Dallagnol; ouça

Em comentário, Kertész recordou outras informações divulgadas de maneira irregular no contexto da Lava Jato, a exemplo da planilha da Odebrecht que cita seu nome

[MK diz que vazamentos trazem 'problemas sérios' para Moro e Dallagnol; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 11 de Junho de 2019 ⋅ 09:08

Os vazamentos de diálogos que põem sob suspeita o procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, foram abordados por Mário Kertész no comentário de hoje (11), na Rádio Metrópole. MK afirmou que, embora as informações divulgadas pelo site The Intercept Brasil tenham sido obtidas de forma ilegal, elas trazem "problemas sérios" para os envolvidos. No entanto, ele frisou que não é a primeira vez que informações sigilosas são divulgadas de maneira irregular no contexto da operação, e que os próprios membros da força-tarefa e do Judiciário são adeptos de tal prática.

"Vi em algum telejornal alguém perguntando 'venha cá, vocês se lembram quantas pessoas foram difamadas no Brasil por conta de vazamento criminoso feito por membros do Judiciário brasileiro?'. (...) Ao invés de se fazer investigação, se tornava público aquilo. E quantos e quantos nomes foram jogados na lama por parte do Judiciário e nunca se investigou de onde saíram esses vazamentos criminosos? (...) Quanta gente depois foi absolvida por informações que tinham que estar em análise primeiro?", questionou.

MK citou como exemplo de "vazamento criminoso" a delação da Odebrecht que cita seu nome. "Os delatores da Odebrecht, setenta e tantos delatores, número grande... Gato e cachorro foram no meio, inclusive este que vos fala, o famoso Roberval. Sabe o que é que deu aquele processo contra mim? Fui absolvido, não tem nada. A Justiça eliminou o processo. Alguém sabe? Não. Mas até hoje tem gente que de vez em quando, quando tá chateado com uma opinião que eu dou, diz 'ah, mas você tá metido nisso também'. Eu também nem fiz questão de dizer aqui, já tem tempo, vários meses que o processo acabou, que eu fui absolvido. (...) Ninguém investigou. O Ministério Público jamais investigou os vazamentos criminosos que aconteceram contra dezenas, centenas de pessoas que tiveram suas vidas atrapalhadas", afirmou.

Kertész ainda criticou a seletividade da imprensa quanto à cobertura dos vazamentos e recordou casos de quebras de sigilo executadas de maneira questionável, como o do reitor da UFSC Luiz Carlos Cancellier, que cometeu suicídio em 2017, e a divulgação de diálogos telefônicos da ex-presidente Dilma Rousseff com o ex-presidente Lula.

"A Lava Jato é um instrumento do Estado. Fez um papel até agora muitas vezes importante, mas também cometeu muitos equívocos. Quando esse juiz Sérgio Moro se deu ao desplante de ir frontalmente contra a lei e tornar pública uma conversa telefônica da presidente da República, que tem, por lei, suas comunicações invioláveis, ele disse que fez aquilo para evitar um mal maior. Mas quem deu a ele esse direito?", indagou.

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