Editorial

Momento é 'extremamente complicado', diz MK após matéria do JN e reação de Bolsonaro; ouça

"Ou vamos ter um fortalecimento da nossa democracia, ou vamos cair num regime ditatorial. Não tem mais meio termo", disse Kertész, em comentário na Rádio Metrópole

[Momento é 'extremamente complicado', diz MK após matéria do JN e reação de Bolsonaro; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 30 de Outubro de 2019 ⋅ 08:59

Após a reportagem da Rede Globo que associou o presidente Jair Bolsonaro ao caso da morte da vereadora Marielle Franco e a reação do chefe do Executivo nacional em uma transmissão ao vivo nas redes sociais, Mário Kertész afirmou, hoje (30), em comentário na Rádio Metrópole, que o Brasil se encontra em um momento "extremamente complicado". Para MK, trata-se de uma "esquina" onde há dois caminhos a seguir. "Ou vamos ter um fortalecimento da nossa democracia ou vamos cair num regime ditatorial", afirmou.

"Não tem mais meio termo. E para que a gente não caia num regime ditatorial, é preciso que as instituições, como o Parlamento, as instâncias judiciárias do país, não se acovardem. E o povo também não se acovarde, o que não quer dizer que o povo tenha que ir pra rua, ou fazer manifesto, ou quebra-quebra. Mas é preciso que a gente mantenha calma, a tranquilidade, e entenda que estamos vivendo um momento extremamente complicado da vida política", analisou.

MK avaliou que a reportagem da Rede Globo não teve a intenção de ligar o presidente ao assassinato de Marielle. Ao comentar a reação de Bolsonaro, no entanto, lembrou que o atual chefe do Executivo foi "eleito pelo povo brasileiro, sem ter enganado ninguém hora nenhuma" e elegeu a imprensa como inimiga.

"O  presidente tem, ao longo desse quase um ano de governo, agredido a imprensa brasileira com adjetivos difíceis de serem engolidos. Fala em imprensa nojenta, vendida, imprensa a serviço do comunismo, comunismo que não existe no Brasil. Ao mesmo tempo, essa mesma imprensa tem lutado, porque a imprensa é um pilar fundamental da democracia. (...) Eu assisti o Jornal Nacional e confesso a vocês que não achei que houvesse qualquer tentativa de colocar o presidente Bolsonaro, ou o cidadão, ligado ao assassinato de Marielle e Anderson. A Rede Globo tem seus pecados, todo mundo sabe, foi a grande defensora da ditadura militar em 1964, o que a obrigou a pedir desculpas públicas anos depois. Não tô aqui pra defender a Globo. Agora, lembrem também que, no dia anterior, o presidente colocou na rede social dele o vídeo dele como um leão atacado por hienas. Dentre essas hienas estavam a Globo, a Ordem dos Advogados do Brasil e o Supremo Tribunal Federal", disse.

Para MK, polêmicas, como a gerada pelo vídeo publicado no perfil do presidente, geram "perda de energia e tempo". "Continuamos com milhões de desempregados, crescimento pífio, e o que a gente vê todo dia? Brigas, brigas que não levam a lugar nenhum", analisou.

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