Editorial

'Não devemos colocar lenha na fogueira', diz MK sobre clima político do Brasil; ouça

Em comentário na Rádio Metrópole, Kertész também avaliou que o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, "cavou a própria sepultura"

['Não devemos colocar lenha na fogueira', diz MK sobre clima político do Brasil; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 11 de Novembro de 2019 ⋅ 08:05

Depois de um final de semana movimentado no noticiário político do Brasil e da América Latina,  Mário Kertész voltou a defender uma análise cautelosa da conjuntura, em seu comentário de hoje (11), na Rádio Metrópole. Na avaliação de MK, a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é positiva para o fortalecimento da oposição brasileira, mas qualquer acirramento de ânimos pode ser fatal para a democracia.

"Com a saída do ex-presidente Lula e evidentemente com a liderança que ele ainda tem, acirra-se bastante a divisão entre o povo brasileiro. (...) A política caminhava com uma oposição completamente silenciosa, fraca, sem estímulo, sem liderança. No geral, a principal oposição ao governo de Jair Bolsonaro estava dentro do governo. (...) Agora, não. Lula surgiu, reagrupa o pessoal ligado ao PT, e eu, também, no comentário que fiz aqui, alertava para a possibilidade perigosa para a democracia de um acirramento de ânimos. Porque, veja bem, se essa coisa vai esquentando e vão se acirrando os ânimos, 'é isso, é aquilo, vamos pra rua, fazer o que está acontecendo no Chile', o que é que nós vamos ter? Fatalmente uma intervenção, e normalmente seria uma intervenção militar. Isso eu acho que seria a pior coisa que pode acontecer. (...) Eu realmente estou preocupado. Acho que esse é um momento em que a gente não tem que botar lenha na fogueira, de jeito nenhum, os embates vão acontecer porque são políticos e ideológicos, normais, mas nós não devemos, no meu modo de ver, fazer qualquer tipo de movimento no sentido de botar lenha nesta fogueira, que já tem uma capacidade de combustão muito forte. Não precisamos, não devemos, não temos que fazer isso. Temos que continuar ouvindo todas as partes, acompanhando o movimento político que está acontecendo no país e saber que nós estamos vivendo uma página nova na nossa política", analisou.

Kertész também falou sobre a situação do Chile, onde, após semanas de grandes protestos, foi iniciado o processo para elaboração de uma nova Constituição, e sobre a renúncia do presidente da Bolívia, Evo Morales. "Dizem que do ponto de vista da economia e da estabilidade ele [Evo] foi um bom presidente. Mas aí sobe pra cabeça, o sujeito quer se perpetuar no poder, quarto mandato... Faz uma eleição, interrompe a contagem dos votos pra retomar logo em seguida dando a vitória dele no primeiro turno. Às vezes o sujeito chega no poder e pensa que pode tudo, que todo mundo está do lado dele, que ele é um porreta, ainda mais se ele fez um bom governo. Pressionado daqui e dali, primeiro resolveu convocar novas eleições, depois recebeu um ultimato dos militares. Renunciou, pode ser preso. Os militares estão à frente. Para quem não tem lembrança ou não tem conhecimento, a Bolívia sempre  foi o país da América do Sul campeão em golpes de Estado. Pois é. Então... Evo Morales cavou a sua própria sepultura", disse.

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