Editorial

'Queria saber o que passa na cabeça da população', diz MK sobre aglomerações na Barra

Mário Kertész também voltou a tocar no assunto da suspensão das investigações sobre o caso dos respiradores: "Vai ficar por isso mesmo? Será que vamos ter que aceitar isso?"

['Queria saber o que passa na cabeça da população', diz MK sobre aglomerações na Barra]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 15 de Junho de 2020 ⋅ 08:42

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (15), Mário Kertész repudiou a atitude dos soteropolitanos que estavam circulando no Farol da Barra, no final da tarde de ontem (14), ignorando as medidas de distanciamento social. Ele também voltou a tocar no assunto da suspensão das investigações sobre o caso dos respiradores.

"Queria saber o que passou na cabeça da população de Salvador ontem pra invadir o Farol da Barra, como se estivesse num domingo de sol, passeando, tranquilo, não tem coronavírus, ninguém morre, ninguém é infectado, você não vai infectar ninguém, você não tem parente pra preservar... Nada! Tá tudo tranquilo. O prefeito disse que vai tomar providências hoje. Claro, vai ter que tomar. E vai ter que jogar cada vez mais duro, ele e o governador. Por falar em governador, o governador continua sem entender, nem eu, nem ninguém, por que aquele caso dos respiradores não está mais sendo investigado por nenhuma instância. Nem Ministério Público do estado, nem Ministério Público Federal, nem Justiça Federal, nem Polícia Federal, nem nada. Um processo que se descobriu roubo, maracutaia, por uma iniciativa da polícia e do governador, junto com o MP-BA, cinco empresários foram presos e cinco dias foram soltos por decisão de uma juíza estadual. E aí pronto, parou. Ninguém investiga. (...) E vai ficar por isso mesmo? Será que vamos ter que aceitar isso? (...) Chegue em quem for, aprofunde a investigação, mostre o culpado, julgue, condene, se for pra prisão, prenda, agora, não tinha, no meu entendimento de ignorante, leigo e burro que sou, nenhuma razão pra soltar esses empresários", disse.

MK também comentou sobre a situação do Brasil em meio à pandemia de coronavírus e o peso dos comportamentos inadequados do presidente Jair Bolsonaro, bem como a ausência de reação das instituições. "O presidente chegou a incitar que as pessoas invadissem hospitais. Eu nunca vi uma coisa tão inconsequente. Invadir hospital onde existem infectados, onde você pode ser infectado ou levar a infecção pra onde não tem, pra mostrar se tem leitos vazios, se estão ganhando dinheiro com isso... E o que aconteceu? Algumas tentativas de invasão. E com o presidente, o que aconteceu? Nada. Vivemos num regime de economia, mas nunca vi um presidente da República usar tanto helicóptero, imagine quanto custa o deslocamento do helicóptero com a turma dele, segurança, pra ele tomar café da manhã em uma padaria, em Goiás, ou para sobrevoar as manifestações na esplanada. Numa hora em que todo mundo deveria estar unido, inclusive cortando salários, do presidente da República, ministros, Judiciário, Congresso, com um exemplo desse você quer o quê? E ao mesmo tempo fica querendo forçar a abrir tudo", afirmou.

Outro assunto foi a ameaça à democracia representada pelos constantes ataques ao Supremo Tribunal Federal por parte de bolsonaristas. Recentemente, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), se tornou alvo dos apoiadores do presidente. "Ontem foi preso um cidadão que ataca também o governador Ibaneis, que é muito ligado ao presidente Bolsonaro, e que demitiu o subcomandante da Polícia Militar, porque ele acha que a PM foi conviente, foi frouxa, assistindo, porque é obrigada a dar garantia lá, e pronto. Desmancharam os acampamentos dos alucinados, e eles resolveram ocupar a cúpula do Congresso. Vai deixar? Vai deixar, é assim? Não tem mais ordem, não tem lei, Constituição, nada? A cada dia essa coisa fica mais grave. (...) Hitler assumiu como primeiro-ministro, e num determinado momento ele começou a fazer algo parecido com isso que a gente tá vendo, e finalmente tocou fogo no Parlamento. Culparam quem? Os comunistas, claro. E aí, medida de força, claro. Vamos ver quando vão tocar fogo no STF, no Congresso, e vão dizer que foram os subversivos comunistas que trouxeram o vírus da China para nos matar", comentou.

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