Editorial

MK lembra influência de Milton Glaser na identidade visual de Salvador nos anos 80; ouça

"Aquela coisa do coração pra mim é fantástica", disse Mário Kertész sobre campanha "I Love NY", criada pelo designer norte-americano para resgatar a autoestima da cidade de Nova York

[MK lembra influência de Milton Glaser na identidade visual de Salvador nos anos 80; ouça]
Foto : Matheus Simoni / Metropress

Por Metro1 no dia 29 de Junho de 2020 ⋅ 08:51

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (29), Mário Kertész homenageou o ex-deputado federal Félix Mendonça e o ex-prefeito de Canavieiras, Almir Melo, que faleceram durante o final de semana (leia mais aqui e aqui). MK também lembrou a morte do designer norte-americano Milton Glaser e falou sobre como a campanha "I Love NY", criada nos anos 1970 para resgatar a autoestima da cidade norte-americana, influenciou a identidade visual de sua gestão como prefeito de Salvador na década de 1980. Segundo ele, a princípio, a ideia foi apresentada a Antonio Carlos Magalhães, que estava prestes a assumir o governo do estado.

"Glaser foi um dos grandes designers do mundo, mas ficou muito marcado com o emblema I Love New York. E eu me lembro perfeitamente dessa época. Em 1978, a cidade de Nova York estava num baixo-astral fantástico. Violência, sujeira, a cidade não estava bem, estava perdendo inclusive no turismo. O prefeito disse 'nós temos que motivar a população para mudar esse clima e fazer com que a gente volte a ter orgulho da nossa cidade'. Ele encomendou esse cartaz a Milton Glaser e começou uma campanha de amor a Nova York, dentro da cidade. (...) E fez um sucesso enorme. Nova York começou a ganhar um espírito, uma força, uma luz. Eu estive em Nova York nesse ano de 1978. Quando voltei ao Rio de Janeiro, era diretor da Eletrobrás, trabalhava com Antonio Carlos Magalhães, e ele já tinha sido escolhido pra ser governador da Bahia, ia tomar posse em 1979. Um dia ele me chamou pra almoçar, eu entusiasticamente falei dessa campanha I Love New York e disse: acho que essa é uma coisa que temos que trabalhar para a Bahia. Com o coração. Aquela coisa do coração pra mim é fantástica. E a partir daí, criar um espírito. Mas ACM não se sensibilizou, achou de pouca importância e pronto", narrou.

A ideia do coração foi retomada por MK quando ele se tornou prefeito "biônico" de Salvador, entre 1979 e 1981. "Algum tempo depois, inesperadamente, ele [ACM] anuncia, sem me comunicar, que eu ia ser prefeito de Salvador. Aí eu cheguei e disse 'ah, bom'. E Salvador não estava bem, tinha passado por três prefeitos. Estava mal em termos de limpeza, obras inacabadas... Então, eu cheguei e disse 'eu vou usar esse negócio'. Chamei o pessoal da [agência de publicidade] Propeg e expus minha ideia pra eles. Eles gostaram e saíram. Um dia apareceram lá com a marca da minha administração: Salvador, com o "o" substituído por um coração. Foi o maior sucesso. Ao lado da publicidade, houve um trabalho efetivo da prefeitura. Isso é só pra mostrar a vocês como a morte de Milton Glaser tem a ver com o trabalho que eu fiz, porque foi inspirado nele que a gente fez isso, e de como isso é importante pra você criar um sentimento coletivo de esperança, de acreditar", concluiu.

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