Editorial

Auditores da Receita quiseram 'participar da festa' da corrupção, diz MK; ouça

Durante o comentário, Kertész também falou sobre a possível "modulação" da decisão do STF que pode anular sentenças da Lava Jato

[Auditores da Receita quiseram 'participar da festa' da corrupção, diz MK; ouça]
Foto : Tácio Moreira / Metropress

Por Metro1 no dia 03 de Outubro de 2019 ⋅ 08:53

Em comentário na Rádio Metrópole, na manhã de hoje (3), Mário Kertész abordou os principais assuntos do noticiário da semana, a exemplo da ação contra auditores da Receita Federal que trabalhavam em conjunto com a Operação Lava Jato. MK destacou que, entre os pertences da mulher de um dos acusados, foi encontrado um relógio com valor estimado em R$ 980 mil.

"Por aí você vê o tamanho do roubo que eles estavam fazendo dentro da operação, conjugado com a operação. Não quer dizer que os promotores e juízes da Lava Jato tenham nada a ver com isso. Mas eles, simplesmente, na maior cara de pau, vendo o combate enorme que estava se fazendo da corrupção, de repente, não mais do que de repente, resolvem participar da festa", analisou.

Outro tema abordado por MK foi a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), favorável ao entendimento de que os réus delatados têm o direito de falar por último nas ações penais em que também há delatores, e a expectativa de "modulação" dessa determinação, proposta pelo presidente da Corte, Dias Toffoli. "Ou seja, uma regra geral, mas que não é tão geral. É geral, mas... 'Olhe, como o estrago vai ser muito grande, então vamos devagar, vamos tentar aqui, vamos tentar por ali, quem ficar de fora vai recorrer, evidentemente, e continuaremos na grande batalha jurídica que leva anos e anos e anos para ser resolvida'", pontuou.

Kertész mostrou ter boas expectativas em relação ao trabalho do procurador-geral da República, Augusto Aras, que foi entrevistado na Rádio Metrópole na segunda (30) (leia mais aqui e aqui) e empossado em cerimônia pública ontem (2). "Vamos esperar que Aras tenha condições de fazer e faça um excelente trabalho de combate à corrupção, mas eu gostei que ele insiste também em fazer um trabalho de proteção às minorias e ao meio ambiente, o que é um pouco contra aquilo que o governo de Jair Bolsonaro propaga ou diz", disse.

MK também citou o caso da menina de 9 anos assassinada por um menino de 12 anos, em São Paulo, e voltou a dizer que o problema da violência é generalizado. "Aí um cidadão chega e diz 'Ah, a violência da Bahia é terrível, o governo não faz nada, a polícia é isso e aquilo'. Ah, tá certo. Será que é mesmo? Será que esse problema de violência é um problema localizado e que pode ser resolvido assim, de qualquer jeito, localmente? Ou é um problema muito mais profundo, que tende a aumentar na medida que o Estado aumenta a violência?", questionou.

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